quinta-feira, 29 de outubro de 2009

FESTIVAL NACIONAL 5 MINUTOS


O XIII Festival Nacional 5 Minutos já divulgou a lista com 50 participantes que se inscreveram para concorrer a R$ 30 mil. Entre os selecionados está o assessor de comunicação interativa e estudante de jornalismo da Faculdade 2 de Julho, Fábio Salmeron, com o curta “A Morte Me Passou a Perna”.


O curta estará em exibição de 16 a 21 de novembro em Salvador na Biblioteca Pública dos Barris, no Centro Cultural de Plataforma e em 11 cidades do interior do estado, sempre às 20h.


Melhores informações através do site:
http://www.festivalnacional5minutos.blogspot.com/

domingo, 21 de junho de 2009

Conceitos e comparação dos leitores: contemplativo e imersivo

Com a Revolução Industrial e o surgimento de máquinas que passou a facilitar a vida do homem, principalmente a máquina de impressão, onde textos foram se juntando e transformando-se em livros, surgiu um leitor com a necessidade de adquirir mais conhecimento e desenvolver o seu intelecto.

Um leitor que surgiu, com a necessidade de interagir com o próprio pensamento, com um mundo individual, que necessita do silêncio e de um espaço, onde ele possa realiar suas leituras, comparando-as com outras bibliografias já utilizadas, é o leitor contemplativo.

Leitor este, que se debruça num livro viajando num mundo, muitas vezes, desconhecido por quem está ao seu redor. O leitor contemplativo, surgiu no século XVI, quando a necessidade de leitura silenciosa, tornou-se indispensável para o desenvolvimento intelectual.

Além do leitor contemplativo já citado acima e o leitor movente que surgiu com o desenvolvimento econômico e a evolução tecnológica, onde as informações passaram a circular com agilidade e transformando-se em mercadorias, misturando-se com sons e imagens que complementam esta comunicação, numa sociedade cuja memória de muitos indivíduos, devido a este desenvolvimento social, passou a ser instantânea e a transferir tudo para objetos do arcabouço tecnológico, foi preparando um novo tipo de leitor.

Indivíduo que originou-se no fim do século XXI, com um novo modo de leitura, que surgiu com a invençãoda internet. Leitor que navega, por um universo onde tudo depende da sua própria iniciativa, para descobrir caminhos ainda pouco conhecidos, dentro de um espaço que simula a realidade, chamado de ciberespaço, é o leitor imersivo ou virtual.

O imersivo é o tipo de leitor que navega por nós e nexos, descobrindo através da tela do computador e do clique do mouse, uma linguagem hipermidiática, linguagem esta, que o próprio leitor constrói com outros indivíduos conectados a este mundo do imaginário humano, o ciberespaço. Este leitor, pode ler em qualquer hora e em qualquer lugar, os textos incrementados de sons e imagens, pois ele, possui ferramentas que, com o desenvolvimento da tecnologia e da sociedade, foisurgindo para facilitar a vida do homem e possibilitar novas descobertas.

Mas, este leitor, que ainda está sendo conceituado por estudiosos da área, não anula nem o contemplativo e nem o movente, pois estes, acabam se completando. Contudo, o leitor contemplativo é um leitor que realiza uma leitura individual, solitária e linear, enquanto o outro, o imersivo, interage com outros tipos de leitores, por entre nós e nexos, fazendo leituras não lineares, que permitem maiores possibilidades de adquirir conhecimentos múltiplos.

Obs.:Texto produzido para avaliação da disciplina Oficina de Jornalismo II, ministrada pela professora Cristina Mascarenhas.

sábado, 20 de junho de 2009

O São João do Pelô

Você que não sabe para onde ir neste final de semana e no São João, veja abaixo a programação do Pelourinho aqui em Salvador:

Programação do Terreiro de Jesus

20 de junho
A confirmar 22h30 à 00h30 – Daniela Mercury
01h às 03h – Banda Lua Cheia

21 de junho
20h às 22h – Quininho de Valente

22h à 00h30 – A confirmar

01h às 03h – Sarapatel com Pimenta

22 de junho
20h às 22h – Cacau com Leite

22h30 à 00h30 – Dominguinhos

01h às 03h – Carlos Pitta

23 de junho
20h às 22h – Val Macambira

22h30 à 00h30 – Falamansa
01 às 03h – Bando Virado no Mói de Coentro

24 de junho
20h às 22h – Zelito Miranda

22h30 à 00h30 – Daniel
01h às 03h – Acarajé com Camarão

26 de junho
20h às 22h – Forrozão
22h30 à 00h30 – Trio Nordestino
01h às 03h – Banda Imortal

27 de junho
20h às 22h – Gereba

22h30 à 00h30 – Alceu Valença
01h às 03h – Renato Fechine

28 de junho
20h às 22h – Kiko Salli

22h30 à 00h30 – Miguelão do Forró
01h às 03h – Tenison Del Rei

Programação Alternativa do Pelourinho
Local: Cruzeiro de São Francisco

20/06Banda CactusSomos CincoJoão Sereno
21/06Saulêra e Forró MariscoBalaio de GatoPimenta do Reino
22/06A confirmarChiado da ChinelaJota e Companhia
23/06Chapeu de CouroForró do AlemãoFlor de Canela
24/06Flor do CangaçoRaimundo SodréForró Oz Piratas
26/06Lui Muritiba Carla Cristina Xinelo de Moça
27/06Lingua de Sogra Celo CostaAloisio Menezes
28/06Maviael Melo Forró Cheiro de Milho Banda Velho Chico

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Refletindo sobre os conteúdos divulgados nos rádios

Desde a fase de implantação do rádio no Brasil, o sistema de radiodifusão é influenciado em seus conteúdos, pela política e pela economia. Neste contexto, a obra A informação no Rádio: os grupos de poder e a determinação dos conteúdos, parte constituinte, editorialmente reelaborada e atualizada, da dissertação de mestrado, defendida em junho de 1982 de Gisela Swetlana Ortriwano, que foi professora doutora da Universidade de São Paulo, mostra-nos cronologicamente, num panorama histórico, a evolução do rádio no Brasil, junto com o próprio desenvolvimento do país, onde por conseqüência da Revolução de 1930, quando as políticas de comércio e indústria precisavam expandir seus produtos no mercado interno; a influência de Getúlio Vargas na centralização do poder executivo e as renovações tecnológicas tiveram grande importância para o desenvolvimento do veículo.

A autora expõe que a priori, os objetivos da programação de conteúdo do rádio eram para ser de cunho educativo, ensino e alegria, mas como nasceu em um ambiente, onde só os que possuíam melhor poder aquisitivo poderiam ter acesso, o veículo transformou-se em empreendimentos de intelectuais, servindo como meio de diversão para a classe. Assim como, o conteúdo ficou ainda mais comprometido, com a permissão da publicidade autorizada pelo Decreto n° 21.111, que regulamentou o Decreto 20.047, primeiro diploma legal sobre a rádio difusão surgido no Brasil, transformando os veículos em empresas, que se organizavam em prol da concorrência existente entre elas. Gisela, já a partir dessa fase, nos faz perceber o quanto os grupos de poder, já vinham impondo seus conteúdos na programação das emissoras.

Com o surgimento da televisão, a autora nos mostra, que as emissoras de rádio passaram a tomar novos rumos. Começaram a se especializar e a investir em inovações tecnológicas, o que permitiu uma qualidade melhor a programação, mas não aos conteúdos, que a cada dia passou a prevalecer o entretenimento, embora ainda existisse um pouco de informação e cultura, coisa que nos tempos de hoje, ainda prevalece. Além disso, fornece dados da época, extraídos da obra de Mário Erbolato, A radiodifusão brasileira, permitindo a comparação entre os meios, mostrando que o Brasil ocupava um lugar privilegiado dentro do panorama da radiodifusão sonora mundial.

Apesar da obra estar desatualizada, os conteúdos expostos pela autora, nos remete a refletir, sobre os teores atuais dos programas de radiodifusão, que na sua maioria, divulgam informações políticas e objetivos dos grupos detentores do poder, ou seja, o rádio é utilizado como propagador de idéias, de determinado grupo social, que se aproveita da influência causada pela economia no rádio, onde as verbas vindas da publicidade as sustentam, para transformar a programação em meras mercadorias, extraídas e adaptadas por agências publicitárias, alienando o público e transformando-os em consumidores de produtos radiofônicos.

Mas Gisela mostra que, não só os interesses internos, como também os externos, como os dos americanos, franceses e ingleses, podem influenciar nos conteúdos da programação do veículo, através de agências de notícias e divulgação de ideologias na defesa dos próprios interesses. Como também expõe diversas leis, que foram surgindo, na tentativa de amenizar a dominação dos conteúdos dos programas informativos, nas mãos de anunciantes que acabam transformando o rádio em um negócio, ao invés de um veículo com função social.

Contudo, este livro de Gisela, é uma obra praticamente completa, em termos de dados estatísticos, cujo conteúdo possibilita um aprendizado rico, comparativo e descritivo, permitindo ao leitor, mais precisamente, um jornalista ou estudante de jornalismo, relacionar o passado com o presente e, verificar acertos e falhas nas transmissões dos diversos veículos radiofônicos existentes atualmente.

Fazer o leitor refletir sobre as informações ideológicas, transmitidas por esses meios de informação, aparentemente, foi a intenção da autora, mas através deste livro, mais o conteúdo existente na obra de Emílio Prado Estrutura da informação radiofônica, e de Nilson Lage A Reportagem: teoria e técnica de entrevista e pesquisa jornalística, o indivíduo poderá não só refletir, como também, adquirir técnicas e bagagens necessárias, mas não suficientes, para a prática de um jornalismo sério e comprometido com a sociedade.

Dessa forma, a obra de Gisela Ortriwano, não fica restrita somente aos estudantes de jornalismo, jornalistas e pesquisadores do assunto, ela serve a todos os indivíduos, comprometidos e participantes dessa nação, corrompida pela ganância dos que detém o poder, na tentativa de fazer todos pensar, sobre as notícias e informações transmitidas não só pelo rádio, mas pelos milhares meios de propagação de informação existentes, e que por conseqüência da tecnologia ainda passarão a existir. No entanto, como diz Clóvis Rossi,

Jornalismo, independente de qualquer definição acadêmica, é uma fascinante batalha pela conquista das mentes e corações de seus alvos: leitores, telespectadores ou ouvintes. Uma batalha geralmente sutil e que usa uma arma extremamente inofensiva: a palavra, [...].

Sendo assim, fica ao nosso critério, saber distinguir e selecionar o que os veículos chamam de notícia, divulgadas a todo o momento nos campos de batalha midiáticos.

Referência
ORTRIWANO, Gisela Swetlana. A informação no Rádio: os grupos de poder e a determinação dos conteúdos. São Paulo: Summus, 1985.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

2° Simpósio sobre queimaduras do Hospital São Rafael

Nos dias 14 e 15 de agosto acontecerá o 2° Simpósio sobre queimaduras do Hospital São Rafael. As inscrições e informações sobre o evento, poderão ser confirmadas através do telefone: (71) 3358-2318 e 3354-4543 ou através do e-mail: dimagnavitaeventos@yahoo.com.br.


Taxa de inscrição poderá variar de acordo com a data.

Até 30/06/2009 será:

Médico R$ 80,00

Residente R$ 60,00

Enfermeiro R$ 60,00

Fisioterapeuta R$ 60,00

Graduando R$ 40,00


Após o dia 30/06/2009:

Médico R$ 100,00
Residente R$ 80,00
Enfermeiro R$ 80,00
Fisioterapeuta R$ 80,00
Graduando R$ 60,00

As vagas serão limitadas!

No final do evento, os participantes receberão o certificado para efeito de integração curricular (carga horária: 12h)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

12 de junho dia dos namorados?

Você sabe por que o dia 12 de junho é comemorado o dia dos namorados? Sabe? Mas para quem não sabe, o Textualize-se irá explicar um pouco da história.

Sabe-se que durante o governo do Imperador Cláudio II, o bispo romano Valentim foi proibido de realizar casamentos. Esta proibição aconteceu, porque o Imperador acreditava que, se os jovens não constituissem família, estes se alistariam ao exército que ele queria formar, com maior facilidade. Mas Valentim, continuou celebrando o casamento escondido, e quando a prática foi descoberta, o bispo foi preso e condenado à morte. Só que mesmo preso, os jovens madavam flores e bilhetes para ele dizendo que continuavam acreditando no amor. Valentim foi decapitado no dia 14 de fevereiro de 270 d.C., na data de sua morte passaram a celebrar o dia de São Valentim. Um século depois, nos Estados Unidos, transformou-se em Valentine's Day.

Aqui no Brasil, o dia dos namorados é comemorado no dia 12 de junho desde 1949. Quando o publicitário João Dória ao viajar para o exterior, teve uma idéia de aumentar as vendas no comércio nessa época do ano. Como no dia 13 de junho já era comemorado o dia do santo casamenteiro, Santo Antônio, a véspera, 12 de junho ficou sendo comemorado o dia dos namorados.

E você, já pensou sobre o que está celebrando hoje? Ao invés de comemorar a troca de presentes, procure trocar mais carinho, amor e estar mais presente na vida de quem você ama. Pois, melhor do que ganhar objetos simbólicos, é saber que, quem você ama te faz feliz e demonstra com um simples gesto, seja um sorriso, um forte abraço, um beijo ou apenas com um olhar, que te ama e está ali, no momento em que você mais precisar.

A todos os românticos e leitores, um Feliz dia dos Namorados!!!

Referências

quinta-feira, 11 de junho de 2009

V Semcine: importante evento cultural realizado em Salvador

De 27 de julho a 01 de agosto, aqui em Salvador, no Teatro Castro Alves, será realizado o Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual (Semcine).

Este grande evento, que se consolida a cada ano, realizado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e pela VPC Cinemavídeo, idealizado pelo cineasta Walter Lima, mostrará filmes inédidos que, suscitará discursões e reflexões sobre os variados produtos audiovisuais existentes, produzidos, circulados e consumidos pela sociedade. Contará com a participação de jornalistas, produtores, estudantes, empresários e público em geral.

A inscrição para o V Semcine estará disponível no site: www.seminariodecinema.com.br e custará R$ 25,00 (meia entrada) e R$ 50,00 (inteira), que possibilitará aos inscritos a participar de mesas-redondas e mostras de filmes.


Melhores informações pelo tel: (71) 3332-0032.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Trabalhadores dos Correios fizeram passeata em Salvador

Hoje, 10/06, por volta das 17h30m, trabalhadores dos Correios saíram em passeata pelas ruas do Centro de Salvador. De acordo com o diretor sindical, Alex Damasceno Santos, a mobilização é nacional, e todos os trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT, estão juntos na luta contra a quebra do Monopólio Postal.

Em nota divulgada pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares - FENTECT, o objetivo do PL é modificar a Lei 6538/78 (Lei Postal Brasileira), que regulamenta o Monopólio Postal. Essa Lei, veta a possibilidade de privatização dos Correios, motivo pelo qual os trabalhadores estão protestando.
"O Deputado Regis de Oliveira, do PSC/SP, está com um Projeto de Lei 3677/2008, que se for aprovado, poderá entregar os Correios às multinacionais, e nós, representantes da ECT, temos a obrigação de lutar contra esse tipo de ação, que poderá prejudicar tanto os trabalhadores dos Correios quanto a sociedade", desabafa Alex.
Caso esse Projeto de Lei 3677/2008 seja aprovado pelo Congresso Nacional, mais de 50% da receita da ECT ficará comprometida, reduzindo a qualidade dos serviços prestados a população, como também, ocasionará a demissão de muitos trabalhadores da empresa.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Cine em Debate: Flores do Amanhã

Será realizado nesta terça-feira, 02/06, às 19h00, no auditório Cefas Jatobá, da Faculdade 2 de Julho, o Cine em Debate com o filme "Flores do Amanhã".
O evento, conta com a participação dos professorores André Holanda e Ana Claudia Pantoja (F2J) e Cristiane Santana (UFBA).
A programação estará aberta ao público.
Para melhores informações clique aqui.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

EXPOMARK 2: bom que nem São João

Nos dias 03 e 04 de junho, das 18h30m às 21h30, será realizado na Faculdade 2 de Julho, o evento mais esperado do ano para os estudantes de Propaganda e Marketing da instituição.

O EXPOMARK 2, que é uma feira de exposição de marcas e produtos diversos, idealizada pela professora Samantha Rebelo. Este ano, a feira terá como tema, as festas juninas, que trará stands de comidas típicas, doces, salgados, empresa de turismo, decoradores, perfumes, roupas, acarajés, artesanatos, bolsas, moto, produtos naturais para esportes em geral. Além de tudo isso, terá atrações especiais, surpresas, brindes e muita diversão.

De acordo com organizadores do evento a entrada é franca.

Para melhores informações, clique
aqui.

domingo, 31 de maio de 2009

Hospital São Rafael: II Semana do Meio Ambiente

Acontecerá nesta quarta-feira, 03/06, no Hospital São Rafael, a II Semana do Meio Ambiente.
O evento contará com a participação do estilista Joel Souza, que estará apresentando para os colaboradores da instituição, suas diversas peças de roupas feitas com materiais recicláveis. Além do desfile, serão apresentadas palestras de conscientização e o teatro intinerante do próprio hospital.
Você que é colaborador não poderá deixar de participar.


Cultura: professores da Faculdade 2 de Julho lançam livro

Lançamento do livro Comunicação e Cultura dos professores: Derval Gramacho, Ana Claudia Pantoja, Henrique Freitas, Verbena Córdula, Cristina Mascarenhas e Daniela Souza, lotou o pátio da Faculdade 2 de Julho, nesta ultima quarta-feira, 27/05.

Muitos estudantes do curso de comunicação social estiveram presentes. Até ex-estudantes como: Ivan Santana do jornal on-line, Repórter Hoje e Evandro Costa da primeira turma de jornalismo da faculdade, foram prestigiar o evento.


sábado, 30 de maio de 2009

Processo de Reciclagem

video

Olá pessoal!

Este vídeo, contém minha primeira matéria televisiva, para apreciação da disciplina Telejornalismo I, orientada pela professora Cristina Mascarenhas.

Na matéria, está exposto o processo de reciclagem da Faculdade 2 de Julho.

Deixem algumas sugestões para o meu aprimoramento.

Obrigada!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

IX CINFORM: Ano da França no Brasil

De 7 a 10 de junho, no Tropical Hotel da Bahia, acontecerá o “Encontro Nacional de Ensino e Pesquisa em Informação”. O evento, que é reconhecido e classificado pelo Qualis/Capes, nesta edição, estará comemorando o Ano da França no Brasil, sendo organizado pela Universidade Federal da Bahia-ICI, pela Universidade de Nice, na França e SENAC/SP.




terça-feira, 26 de maio de 2009

Resenha: Cabeça de porco


Luiz Eduardo Soares, antropólogo e cientista político, conhecido por sua atuação principalmente na Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, MV Bill, músico e Celso Atayde, empresário e produtor musical.


Os autores expõem no livro Cabeça de porco, as suas próprias experiências vividas através de pesquisas, sobre como o tráfico de drogas, a violência e o descaso imperam em diversas cidades brasileiras, principalmente no Rio de Janeiro, que se tornou uma espécie de “espelho idealizador” para outros estados, provocando uma realidade subumana nas favelas de todo o país.

Assim como mostram, o quanto cada indivíduo que compõe nossa sociedade, é causador dessa guerra absurda impregnada em cada favela, orientada por crianças e adolescentes desprovidos de uma vida digna, para manter-se inseridos no sistema ao qual nossa sociedade é subordinada.


A obra também nos mostra, que apesar de existir sofrimento e ódio nos corações desses indivíduos, obrigados pelo nosso sistema a continuar nessa situação catastrófica, ainda existe uma preocupação com o próximo, e uma exigência de amor e atenção, na tentativa de reerguerem-se novamente para uma vida digna e livre de tanto sofrimento e descaso.

Em suma, a obra visa esclarecer, como a parte dominadora da sociedade, mantém os indivíduos das favelas excluídos do próprio “mundo” através da polícia, para não perturbar a paz dos economicamente saciados. Os autores conseguem comover e provocar motivação, a ação de qualquer indivíduo, através desta, causando vontade de envolverem-se em causas sociais, as quais provocariam mudanças positivas, concretas as sociedades carentes, existentes não só aqui no Brasil, como no mundo.


Esta obra não é só indicada para estudantes e sim para toda população, com o objetivo de fazer brotar no coração de cada ser, o amor ao próximo e a luta por uma vida digna a todos.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Resenha: Falcão – Meninos do Tráfico


Alex Pereira Barbosa mais conhecido como MV Bill, carioca da Cidade de Deus, músico, deu uma virada em sua vida após assistir na adolescência ao filme “As Cores da Violência” e Celso Athayde é um dos mais atuantes empresários de rap e hip-hop do país e um dos fundadores da CUFA (Central Única de Favelas).

No livro Falcão - Meninos do Tráfico, os autores expõem relatos interessantes, que foram gravados durante a produção de um documentário, sobre jovens de todo o país, envolvidos no tráfico de drogas. As rotinas deles, brincadeiras e sonhos idealizados para o futuro, mesmo estando dentro de uma “empresa” do tráfico controlada pelas mazelas sociais.

Os autores mostram também, a realidade de jovens, que nascem e morrem dentro de favelas, sem nem mesmo conhecer outros lugares da própria cidade onde moram, pois se eles saem de lá, acabam morrendo mais cedo do que se permanecessem no mesmo lugar. Os fatos expostos pelos autores nos mostram como mães, famílias e os próprios jovens sofrem com esse tipo de situação, porque na realidade o que muitos deles mais querem, é viver uma vida tranqüila e trabalhar dignamente.

Os depoimentos que os autores conseguiram colher chocam, e deixam qualquer indivíduo estarrecido com a situação que chegou o nosso país. Pois, nos depoimentos, como também no livro Cabeça de porco, os jovens declaram que, o tráfico acaba trazendo para as favelas, mais benefícios do que o governo. A obra faz refletir, sobre a possibilidade de gerar alternativas para salvar crianças e adolescentes do tráfico e, fazê-las acreditar que o sonho idealizado por elas, ainda tem chance de se concretizar, como também, tentar parar com tanto sensacionalismo exposto pela mídia, ao qual gera mais violência e corrupção no mundo.

Esta obra é indicada a todos os indivíduos, na intenção de corrigirmos os erros gerados pelos preconceitos existentes dentro de cada um de nós.

domingo, 24 de maio de 2009

Caros leitores

Estive afastada por motivo de forças maiores das atividades acadêmicas e profissionais nestes últimos dias. Por isso, não tive condições de alimentar o blog. Espero, que as singelas resenhas tenham suprido a ausência das postagens diárias.
Agradeço a compreensão de todos e todas.
Um grande abraço...
Suane Mendonça

Administração de crise de Imagem

[...] a imagem de uma organização não depende apenas das comunicações e comportamentos produzidos pela empresa e emanados dela: ela é também afetada por outras influências, em que exercem papel importante as percepções que têm outros públicos dependentes e influenciados pela empresa e os elementos a sua volta (Las Casas, 2001).


O que é administrar? De acordo com Jules Henri Fayol
[1], administrar significa planejar, organizar, dirigir e controlar toda e qualquer atividade dentro de uma empresa ou fora dela. Por que partir deste conceito para falar sobre administração de crise de imagem? Porque através deste conceito de administração, podemos perceber que para um indivíduo solucionar alguns problemas que venham existir em uma instituição, será preciso seguir estes princípios básicos, que funcionam não só em organizações, como também, para muitas coisas na vida do homem.

De acordo com Francisco Viana, autor do livro De cara com a mídia, Comunicação corporativa, relacionamento e cidadania, até a década de 1950, as empresas no Brasil, não se preocupavam com os acontecimentos que pudessem prejudicar a sua imagem, já os americanos e europeus, antes de saber o que significava direito do consumidor, buscavam qualidade e segurança nos produtos que fabricavam, com isso, começaram a adquirir credibilidade, uma das “armas” fundamentais, para que em tempos de crise, a organização tivesse algum prestígio perante a sociedade.

Em uma instituição em tempo de crise, além da credibilidade para garantir um dano menor na imagem da mesma, é preciso também, que ela tenha um bom diálogo e um ótimo relacionamento com a opinião pública. Isso porque, a organização que se mostra preocupada com a sociedade, mantém-se sempre informada sobre ela e tem um relacionamento estável com a mídia, e com isso, poderá adquirir uma imagem forte que favorecerá em muitos momentos de tensão. Um exemplo de empresa que agora está conseguindo superar muito bem suas crises aqui no Brasil, é a Petrobras, que procurou e permanece buscando estar sempre envolvida com o que acontece na sociedade, cultivando o bom relacionamento dentro e fora dela.

No entanto, um bom relacionamento com a opinião pública, não se adquire de uma hora para outra, e todo cuidado é pouco. Cuidados estes, que muitas empresas americanas, européias e brasileiras como a Petrobras, tem tomado, através de investimentos em estratégias comunicacionais. Investir em comunicação significa hoje, ganhar mercado, prevenir uma situação de crise que represente tanto risco para a empresa quanto para a sociedade, ou seja, é estar sempre preparado para a resolução dos problemas que venham surgir. Pois, muitos acontecimentos são imprevisíveis, assim como as crises. Saber conduzir uma crise numa instituição, que na maioria das vezes é avassaladora, torna-se indispensável ao seu porta-voz
[2], discernimento na sua atuação e compromisso.

Contudo, manter uma empresa preparada para uma crise requer muita organização, cautela e é também, preciso investir em ações bem planejadas como: ações estratégicas
[3], ações técnicas[4] e ações de comunicação[5] (Viana, p. 185-187), e para isso, as pessoas que estiverem à frente deste processo, devem estar sempre prontas e capacitadas, para em momento de crise, saber agir na hora adequada e com racionalidade, prevenindo prejuízos à imagem da corporação e conseqüentemente adquirir credibilidade perante a sociedade.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/revista_da_fae/rev_fae_v8_n1/rev_fae_v8_n1_02.pdf acessado em 25.04.2009 às 17h33min.

VIANA, Francisco. De cara com a mídia: Comunicação corporativa, relacionamento e cidadania. São Paulo: Negócio Editora, 2001. p. 165-187.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jules_Henri_Fayol acessado em 25.04.2009 às 16h37min.

Nota de rodapé
[1] Um dos principais contribuintes para o desenvolvimento do conhecimento administrativo moderno.
[2] Alguém escolhido (a) pela empresa para representá-la em momentos críticos. Alguém capacitado, conhecedor das questões técnicas da empresa e que sabe transmitir e conhece todas ou quase todas as informações da instituição.
[3] Organização de um Comitê de crise com funções bem definidas e pessoas de todas as áreas.
[4] Avaliar a situação da crise, organizar equipes, treinar porta-vozes, etc.
[5] Manter sempre o público interno e externo informado sobre tudo o que está acontecendo na instituição para demonstrar transparência nas atitudes da empresa e consolidar sua credibilidade no mercado.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Resenha: Estrutura da informação radiofônica


Emílio Prado, radialista, jornalista e professor da Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha, no decorrer do primeiro capítulo do livro Estrutura da informação radiofônica vem expondo como o rádio continua sendo o veículo de comunicação mais importante para a sociedade, devido suas características positivas como a instantaneidade, a simultaneidade e a rapidez das transmissões dos fatos atuais. Mas que infelizmente, na maioria dos rádios as características negativas como o esquema unidirecional, vertical e hierárquico, ou seja, a relação emissor-meio-receptor vem prevalecendo nas estruturas organizacionais tradicionais.

Esse tipo de estrutura tradicional acaba prejudicando o desenvolvimento da radiodifusão, bloqueando a capacidade do ouvinte em manter junto ao locutor uma relação igualitária e de troca de conhecimento que tornaria o processo radiojornalístico dinâmico e natural.

Outros aspectos relevantes apresentados por Prado neste capítulo são as técnicas de locução para o informante radiofônico. Exercícios capazes de facilitar a leitura dos textos e a melhorar na entonação da voz do locutor. Vale lembrar que estes exercícios encarados com responsabilidade pelo profissional do rádio juntamente com a clareza redacional, ajudará o ouvinte a compreender a mensagem transmitida pelo veículo com facilidade.

No segundo capítulo o autor também nos mostra a grande importância do rádio como meio informativo. Emílio Prado faz o leitor refletir como o rádio através de suas características essenciais da tecnologia radiofônica como a simultaneidade e a instantaneidade ajudam bastante na propagação da informação, facilitando no processo se comparados com os programas televisivos.

Mas para um programa radiofônico adquirir credibilidade perante a grande massa, é preciso levar em conta qual o seu tipo de público e sua responsabilidade social. Pois, como cita o próprio autor “este fato tem importância no caso de um público não saber ler, mas, sobretudo, adquire maior importância para todos aqueles que não querem ou não tem tempo para ler”.

Também neste capítulo Prado nos mostra mais algumas técnicas para melhorar a transmissão da informação radiofônica. Fazendo-nos lembrar como é relevante a utilização da estrutura gramatical no texto para o rádio na hora de marcar a entonação da voz, exprimir idéias, ajudar na renovação do ar e na transmissão da notícia com clareza e simplicidade expressiva que acaba trazendo uma rapidez de leitura e concentração informativa.

Para que essas técnicas que o autor nos expõe dê certo, é válido ressaltar as principais características que atrairá audiência no rádio que são: a atualidade e a instantaneidade mostradas pelo próprio autor e os recursos técnicos, recursos redacionais e os recursos de programação que reforçam estas características. Portanto, escrever um texto para o rádio necessita de pensar e repensar como esse texto será escutado pelo ouvinte, lembrando que o receptor da mensagem devido ao seu tempo de se atualizar e seu repertório de conhecimentos, precisa de frases breves e simples facilitando o entendimento da informação.

O terceiro capítulo do livro não é diferente dos anteriores. Nele o autor procura mostrar com clareza outras características diferenciais como a brevidade que trará ao leitor mais facilidade ao redigir uma informação radiofônica.

Prado para facilitar mais a redação da informação radiofônica, expõe três tipos de notícias: a notícia estrita que vem encabeçada na sua estrutura uma introdução, termo utilizado no lugar de lide, a notícia de citações onde alguns dados são expressos pela voz do protagonista dos fatos ou pela fonte e notícia com entrevista que contém um início atrativo onde haverá a resposta ao quem e habitualmente conterá a resposta ao quê. Emílio Prado ainda neste capítulo demonstra que tudo poderá se transformar em notícia radiofônica. Neste sentido, para ele definir o que é notícia com o aparecimento do rádio como meio de informação, reajusta os conceitos proferidos por diversos autores e escolas de diversas épocas, dando credibilidade a uma definição citada no livro de Secanella, 1980:11.

Já o capítulo quatro, fala sobre os tipos e formas das entrevistas radiofônicas de maneira alongada e cansativa. No início deste, Prado nos explica como o entrevistador poderá obter êxito em uma entrevista, mostrando ser conhecedor do tema a ser abordado e conhecedor da pessoa a ser entrevistada. Outro aspecto relevante é a formulação das perguntas que devem ser curtas, claras e concisas para que o entrevistador também obtenha respostas deste mesmo nível, já que o tempo e a rapidez da informação noticiada são preciosos no rádio.

Esse capítulo é bastante interessante mais se tornou cansativo pelos longos exemplos mostrados, causando a impressão de que o autor queria complementar o capítulo já que não tinha mais o que relatar.

No quinto capítulo, Emílio Prado retoma a mesma linha de pensamento que obteve nos três primeiros capítulos só que de maneira mais sintetizada. Com nitidez o autor explica os tipos e formas de realização da reportagem radiofônica, mostrando o quanto é importante a ação e a criatividade do jornalista, além de uma bagagem técnica que favorecerá o desenvolvimento da reportagem, como também o conhecimento profundo do tema a ser retratado para evitar os erros causados pela tensão da ação causada pela reportagem.

O sexto capítulo também de maneira sintetizada, mostra as fórmulas para organizar o debate no rádio que são: a mesa-redonda onde participam representantes de diversos pontos de vista sobre o tema a ser debatido, o debate onde se produz um enfrentamento aberto de duas posturas opostas, o documentário onde a polêmica reside no tema, não no enfrentamento e as entrevistas onde a polêmica poderá ser veiculada através de diversas fórmulas. Para que estas fórmulas obtenham êxito, o autor enfatiza a relevância do jornalista como moderador ou mediador e possuidor de uma gama de conhecimento sobre o tema abordado.

Nos dois últimos capítulos Emílio Prado expõe sua crítica sobre a crônica que desapareceu como gênero informativo e a pesquisa que o autor afirma que sua utilização no jornalismo é uma fraude, que nem os meios nem a metodologia oferecem garantias científicas.

Analisando de forma geral, o livro Estrutura da informação radiofônica, possibilita ao leitor interessado em se especializar em rádio, uma ampla bagagem de conhecimento sobre o tema, assim como, fornece técnicas de aprimoramento destes para tornar prática a exposição das habilidades adquiridas no cotidiano de um ambiente radiofônico ou em um curso de graduação. Como também, enriquece e faz um jornalista ou estudante de jornalismo refletir seu papel na sociedade enquanto propagador da informação rápida e barata que o rádio oferece.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

9ª Jornada Interdisciplinar

Acontece nesta terça-feira, 19/05, das 14 às 17h30 e das 18h20 às 22h, a 9ª Jornada Interdisciplinar da Faculdade 2 de Julho.
Confira aqui a lista da programação...

sábado, 16 de maio de 2009

Subúrbio: diversão e cultura neste final de semana

Acontece neste sábado e domingo, 16 e 17/05, no Centro Cultural de Plataforma, a comédia “Nú Buzú”. Os atores representam situações do cotidiano de quem necessita pegar ônibus.
O ingresso custará apenas R$ 2,00(inteira) e R$ 1,00(meia entrada). O Centro Cultural de Plataforma fica localizado, na Praça São Brás, Plataforma, no Subúrbio Ferroviário de Salvador.

Maiores informações:
Tel: (71) 3117 8106
Fax: (71) 3117 8104
Coordenadora: Ana Vaneska Almeida
Assistente: Márcio Bacelar

Artigo:Eleições municipais 2008

A hegemoneidade discursiva do Jornal A Tarde

RESUMO: O objetivo deste artigo é mostrar como o estilo manipulador ideológico persiste em alguns veículos nos períodos de eleições. Para tanto, lançar-se-á mão do conceito de enquadramento, bem como da discussão foucaultiana acerca do poder, buscando analisar a cobertura jornalística do jornal A Tarde no processo de disputa eleitoral para a prefeitura da capital baiana, no período compreendido entre os dias 11 a 25 de agosto de 2008.
PALAVRAS-CHAVE: comunicação, linguagem, discurso, informação, manipulação, poder.



Introdução


Um discurso repetido por diferentes sujeitos individuais dotados de certa influência tem a capacidade de interferir no modo de pensar e agir do sujeito coletivo [...]. É interessante observar o poder de alguns discursos, capazes de atravessar os séculos praticamente intocados (HOFMANN, 1995).

“O homem é um animal político” já dizia Aristóteles. Um indivíduo não pode ser pensado sem a comunicação, assim como a comunicação não poderá ser pensada sem a linguagem. Desta maneira, a linguagem se tornou um instrumento de poder pelo qual os seres humanos se apropriaram para dominar outros seres.

Discutir as formas e mecanismos de poder que uma determinada parte da sociedade impõe sobre a outra, através de discursos, fomenta inquietação em muitos pensadores. Foucault, em Microfísica do Poder, afirma que...

a politização de um intelectual tradicionalmente se fazia a partir de duas coisas: em primeiro lugar, sua posição de intelectual na sociedade burguesa, no sistema de produção capitalista, na ideologia que ela produz ou impõe (ser explorado, reduzido à miséria, rejeitado, “maldito”, acusado de subversão, de imoralidade, etc.); em segundo lugar, seu próprio discurso enquanto revelava uma determinada verdade, descobria relações políticas onde normalmente elas não eram percebidas (1979, p. 70).

Exercer o poder nas atitudes e nas relações político-econômicas dos indivíduos sociais é o que mantém muitos meios de comunicação de massa mundiais, sugerindo a todo o momento, como o cidadão deverá se comportar, apontando modos de enxergar a realidade e sempre o influenciando com opiniões que interessam a grupos hegemônicos.

Examinar e identificar quais os tipos de discursos e enquadramentos sobre as eleições municipais publicados pelo jornal A Tarde, no período entre 11 a 25 de agosto de 2008, é o principal objetivo deste artigo. Assim como demonstrar que através destes discursos e os interesses nestes contidos, podem influenciar a sociedade, tanto agir passivamente, como ativamente em prol de um bem comum.

Tipo de discurso divulgado
Os meios de comunicação de massa baianos têm papel importante para política do estado. Os interesses políticos fazem da maioria destes meios de divulgação da informação fio condutor para a propagação de discursos, cujo interesse é, na maioria das vezes, persuadir a sociedade sobre as “verdades” expostas, em benefício de um determinado sistema de poder.

A mídia baiana, muitas vezes, sugere à população que os assuntos políticos só sejam discutidos em período de eleições, cuja divulgação se resume a informações sobre candidatos que disputam uma vaga no poder do Estado, ou seja, aquele que estará em circunstâncias políticas privilegiadas para governar seu círculo social.

Nos períodos eleitorais, a maioria dos veículos de comunicação formula discursos que tendem a estabelecer modos de pensar, massificando a audiência pela intensa repetição. “Esse discurso não abre a possibilidade para que o interlocutor interprete a seu modo a realidade, pois o sentido único já está nele constituído” (HOFMANN, 1995), dando direito a poucos de interpretar o que realmente está acontecendo com a sua realidade, fazendo da maioria da população excluída meros propagadores das ideologias das classes dominantes.

Neste sentido, as edições do jornal A Tarde analisadas, no período proposto no artigo, vêm demonstrar as formas de discursos persuasivos, mecanismo potente que a cada dia atinge a uma quantidade cada vez mais expressiva de pessoas, sem que muitas vezes elas se dêem conta.

O A Tarde, no decorrer de suas edições, além de utilizar-se do enquadramento corrida de cavalos para “mostrar” a sociedade quem está na frente nas eleições, usa também, e bastante, o enquadramento personalista, selecionando e salientando um acontecimento através de um ângulo diferente, ou seja, dramatizando a situação de alguns candidatos, salientando aspectos da vida deles, como qualidades ou defeitos, esquecendo de enfatizar a questão mais importante da política que realmente interessa aos eleitores-cidadãos. Isso remete ao conceito de enquadramento formulado por Roberto Entman, para quem enquadrar é...
selecionar alguns aspectos de uma realidade percebida e fazer eles mais salientes no texto comunicativo de modo a promover uma definição particular de um problema, interpretação causal, avaliação moral e/ou um tratamento recomendado para o item descrito (ENTAMAN apud GUTMANN, 2006, p. 32).

Existe quatro tipos de enquadramento: temático, quando os temas políticos e os acontecimentos são levados em conta de forma geral; episódico, quando se concentra em uma cobertura orientada em casos particulares; personalista, focaliza a atenção em atores individuais, esquecendo do aspecto amplo da política e corrida de cavalos que dá ênfase a questão da competitividade, ou seja, quem está na frente ou atrás nas campanhas eleitorais.

Um exemplo claro de que o jornal A Tarde está utilizando o enquadramento personalista, está em um trecho da matéria do dia 15/8/2008, na página 15, intitulada “Candidato evita embate com petista”:

A estratégia de silêncio do tucano não é gratuita. Se, nesse momento, Imbassay comprar briga com Pinheiro, sabe que, numa provável disputa de segundo turno contra Neto ou João Henrique, poderá não ter apoio do candidato e eleitorado petista. Imbassahy também se apóia nas palavras do próprio governador Jaques Wagner (PT) de que tucano também é de sua base aliada.


Em apenas um trecho o jornal tenta desqualificar a imagem do candidato a prefeito Antonio Imbassahy perante a sociedade. Esta matéria ratifica que Imbassahy usa suas habilidades para ganhar apoio de outros candidatos, caso haja segundo turno.

Outra matéria do dia 18/8/2008, na página 13, com o título “Pinheiro vai mostrar lado popular e colar com Lula”, vem expondo uma circunstância parecida com a da matéria acima. Para demonstrar que mais uma vez o jornal A Tarde está dando ênfase ao enquadramento personalista, segue o fragmento desta matéria:

A campanha do petista, com o horário eleitoral, além de mostrar um Pinheiro popular e familiar, aposta as fichas na captação do eleitorado que o presidente Lula e o governador Jaques Wagner têm em Salvador. Para isso, a arma principal do marketing da coligação Salvador, Bahia, Brasil é colar a imagem de Pinheiro às das duas lideranças do PT, sendo que a imagem de Lula também deverá ser usada pelo PMDB de João Henrique.

Os dois trechos das matérias acima citadas mostram que grande parte das informações transmitidas pelo veículo A Tarde está enfatizando a questão das habilidades, qualidades e defeitos dos candidatos à prefeitura de Salvador, deixando de fora os aspectos mais importantes da política para a população, como, por exemplo, as propostas de governo de cada postulante ao cargo.
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Informação e manipulação
O jornal A Tarde, como os outros veículos de comunicação de massa, foram “pensados” – pelo menos em tese -, para levar informação aos seus leitores com responsabilidade e qualidade. Mas, como vivemos em uma sociedade capitalista, cujos interesses hegemônicos controlam as informações, os objetivos dos veículos de convencional passaram a considerar a lógica capitalista.

No decorrer da nossa história, além de os mass media pautarem o que a sociedade deverá pensar, estão controlando, também, a ação de cada indivíduo no papel a ser exercido no seu âmbito social. Um exemplo disso aconteceu no período da campanha eleitoral para Presidência da República, em 1989, como bem lembra o jornalista Clóvis Rossi em seu livro O que é jornalismo:

A campanha eleitoral para Presidência da República, em 1989, permitiu incontáveis exercícios de sobreposição do critério político ao jornalístico. Como a maior parte da mídia estava apoiando Fernando Collor de Mello ou, no mínimo, hostilizando seus perseguidores imediatos (Lula e Leonel Brizola), quase todos os títulos eram “puxados” de forma a favorecer Collor.
Houve até momentos em que a queda de Collor nas pesquisas era ocultada, no título, que preferia destacar a queda (ou avanço) de algum outro candidato (ROSSI, 2005, p.46).

O leitor que tem o senso crítico aguçado e que analisa as informações noticiadas pelos veículos de comunicação perceberá que mesmo depois da campanha eleitoral de 1989, o estilo manipulador ideológico de alguns meios de comunicação de massa continuou. Nas edições do jornal analisado, podemos perceber que essa tendência permanece potente ao longo dos anos. Um leitor que se dispõe a avaliar as matérias nas entrelinhas, observará o quanto o jornal A Tarde subestimou, através do discurso e do enquadramento personalista, o interior das discussões políticas que estavam ocorrendo.

O fragmento da matéria “Neto e Marinho dizem apoiar gays” ilustra esta afirmativa:

No papel, a coligação “A voz do povo” pode ser considerada como a chapa mais conservadora entre as cinco que disputam a Prefeitura de Salvador. Contudo, o deputado católico ACM Neto (DEM), candidato a prefeito e o vice, o deputado Márcio Marinho (PR) da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), se demonstraram progressistas em relação ao movimento gay.
Neto foi o único que havia respondido até ontem, à sabatina encaminhada na segunda-feira aos cinco concorrentes ao Palácio Thomé de Souza, pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), para sondar a posição dos candidatos a prefeito em relação às bandeiras dos homossexuais.
Além de rápido, Neto mostrou-se um verdadeiro entusiasta das bandeiras gays, respondendo positivamente (com ressalvas) às dez perguntas. [...] (A TARDE, 14/8/2008, p.14).

É possível perceber o quanto o candidato a prefeito ACM Neto foi exaltado pelo jornal. A matéria, na maioria dos parágrafos, se refere à ACM Neto como “Neto”, e mostra somente a atuação positiva do candidato.

Para o cidadão que não tem determinado discernimento para distinguir o que seja informação e manipulação, acredita sem ao menos questionar no que o veículo de comunicação propaga, deixando-se levar por articulistas, que transformam momentos político-econômicos importantes para o desenvolvimento do município e até do país em oportunidades para manipular o receptor através de discursos que defendem interesses partidários e/ou econômicos.

Neste contexto, é possível identificar como as instituições de comunicação de massa passaram a mudar seus ideais primordiais, objetivando se adequar ao mundo do negócio, aproveitando-se das informações para, através delas, obterem ganhos para a manutenção do veículo ou para um maior controle do entretenimento.

Pode-se pensar que isso se dê porque o comércio é a arte de agradar e a política, de disputar. A comunicação de massa seria conduzida por perspectivas de entretenimento, enquanto a política o seria por interesses de convencimento e pela busca de vantagens de uma parte sobre as outras em situações de competição. [...] a comunicação política tradicional ficaria com a sua retórica de palanque e a sua fala mansa baseada sempre em perspectiva de ganhos, que a habilita, respectivamente, para o convencimento discursivo e para as barganhas de bastidores, enquanto a comunicação de massa ficaria com a arte de representação e do espetáculo, apropriada para a produção do entretenimento (GOMES, 2004. p. 301).

Outro aspecto da manipulação da informação que não pode deixar de ser citado neste artigo é como as fotos, charges e caricaturas dos candidatos expostas pelo jornal A Tarde sempre apresentam quatro dos cincos candidatos sempre com semblante de derrotados e preocupados com o que poderá acontecer no período das eleições, enquanto ilustra ACM Neto sempre demonstrando tranqüilidade e domínio sobre a situação. Algumas das fotos, charges e caricaturas publicadas no veículo, poderão ser observadas logo abaixo, comprovando mais uma vez, a manipulação informativa, não só através de textos, como também de imagens, para atrair a atenção do leitor, com uma pregnância maior, na tentativa de estimular a percepção visual do cidadão, com a finalidade de entreter e manter o comando sobre a situação divulgada.

As imagens mostradas no decorrer das edições, sobretudo na publicação do dia 20/8/2008, na página 13, mostrada logo a seguir, estão indicando cada candidato a prefeito em posição inferior à de ACM Neto. O candidato Hilton Coelho, por exemplo, aparece com a mão estendida e olhando para cima, dando a impressão de que está pedindo a ajuda divina para ganhar as eleições; João Henrique é mostrado como se estivesse apelando, ou seja, pedindo aos eleitores ajuda para a reeleição; a foto de Walter Pinheiro é apresentada demonstrando que ele, de qualquer maneira, tentará convencer os eleitores a escolhê-lo; Antônio Imbassay é mostrado com a mesma atitude de Pinheiro, só que menos otimista. Já ACM Neto apresenta postura de quem deixará o eleitor se decidir.

No que diz respeito ao aspecto quantitativo das fotografias e informações, o jornal analisado utilizou uma estratégia interessante. Procurou expor bastante, de forma negativa, quatro dos cinco candidatos, principalmente Pinheiro e Imbassahy, divulgando discursos que comprometiam os dois diante do público eleitorado, enquanto ACM Neto aparecia pouco, mas quando surgia, sempre em posição superior ou sendo destacado por algum objeto e elogiado nas entrelinhas dos textos. A charge que aparece logo abaixo, por exemplo, não exibe ACM Neto, mas mostra os candidatos João Henrique, Imbassahy e Pinheiro na disputa pela utilização da imagem do presidente, ou seja, uma crítica negativa aos candidatos perante a sociedade.

No fragmento da matéria que vem a seguir, o candidato a prefeito mais citado de forma negativa pelo jornal A Tarde durante as eleições, Walter Pinheiro, é censurado nas entrelinhas como o candidato que mais critica o adversário ACM Neto. No trecho da matéria “Walter Pinheiro lança programa para jovens”, o tempo inteiro o discurso do veículo mostra que quando Pinheiro não critica seu adversário ACM Neto, os seus representantes fazem por ele.

[...], durante o lançamento do programa de governo para o segmento, na Faculdade Visconde de Cairu [...] Pinheiro não criticou o candidato ACM Neto, que aposta na estratégia de se associar ao novo nas eleições.
As lideranças estudantis e a candidata a vice da chapa de Pinheiro, a ex-prefeita Lídice da mata (PSB), se encarregaram da tarefa de criticar o candidato, que, segundo eles, representam o chamado carlismo.
“O fato de ACM Neto ter 29 anos não quer dizer que ele é capaz de representar a luta da juventude. Ele é um jovem velho, que expressa na política as idéias mais antigas”, discursou Lídice da Mata. Coordenador da juventude do PSB, Vítor Gantois foi um dos líderes que lançaram a munição contra ACM Neto: Não podemos deixar qu ele se apresente como um candidato da juventude, ele não é. Um novo cacique quer surgir e não podemos deixar” [...] (A Tarde 16/8/2008, p. 16)

Percebe-se que, as informações divulgadas pelo jornal A Tarde, se bem avaliadas, poderão ser definidas como persuasivas e dirigidas em favor de uma classe, cujo interesse é manter a grande massa sob seu controle estrategista, para a manutenção do carlismo
[1], que imperou na nossa política há anos.


Conseqüência do discurso estereotipado
A sociedade está sob o controle de grupos hegemônicos mantenedor de um sistema injusto e que favorece apenas os seus próprios interesses. Isso prejudica a maioria da população, que passa a agir e pensar de forma semelhante à da classe hegemônica, colaborando para a manutenção das desigualdades sociais.

Assim, interpretar a realidade, apresentada por um veículo de comunicação de massa não é uma simples tarefa. Cada veículo possui sua ideologia e cada indivíduo procura interpretar os discursos propagados de acordo com a sua realidade. É aproveitando-se dessa situação, que a classe dominante procura produzir estratégias discursivas convincentes através desses meios, no intuito de continuar a agir sobre uma classe dominada. Pois como diz Hoffman (1995), “a interpretação constitui-se em privilégio, um monopólio pertencente aos grupos sociais hegemônicos, cujos aparelhos ideológicos encarregam-se de gerir a memória coletiva”.

Desta maneira, é preciso inventar novas possibilidades de inverter a situação. Oportunizar ao indivíduo interpretar os fatos a seu modo, sem o controle discursivo estereotipado da política seria o primeiro passo. Mas para isso é preciso métodos alternativos, como por exemplo, os dos anos 70, que através dos meios culturais e artísticos mobilizaram a sociedade, instigando nos cidadãos, sem distinção de raça e de classe social, a possibilidade de interpretar o mundo do seu próprio jeito, sem serem excluídos por pensar e agir de forma diferente.


Referências bibliográficas

HOFMANN, Loraci Tonus. Do discurso enquanto constituinte da realidade. Artigo, 1995.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder; organização e tradução de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979. p. 70.
GUTMANN, Juliana Freire. Quadros narrativos pautados pela mídia: framing como segundo nível do agenda-setting?. Contemporânea (Salvador), v. 4, p. 25-50, 2006.
ROSSI, Clóvis. O que é jornalismo. São Paulo: Brasiliense, 2005, p. 46.
GOMES, Wilson. Transformações da política na era da comunicação de massa. São Paulo: Paulus, 2004, p. 301.
<
http://www.ipcdigital.com/ver_noticiaA.asp?descrIdioma=br&codNoticia=8726&codPagina=9169&codSecao=368> acessado em 07/12/2008 às 16h10min.
Jornal A Tarde no período de 11/08/2008 a 25/08/2008.
[1] Nome dado à hegemonia de Antonio Carlos Magalhães sobre a Bahia, o "carlismo" teria tido seu apogeu a partir da década de 90, segundo o historiador Marco Antonio Villa, professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos . Nesse período, ACM venceu pela primeira vez uma eleição, assumindo o governo baiano. Antes, o político havia comandado duas vezes a Prefeitura de Salvador, mas por indicação da ditadura militar (Morte encerra "o caso político" do carlismo, para historiador. Nome dado à hegemonia de Antonio Carlos sobre a Bahia, o "carlismo" teve seu apogeu a partir de 90. Publicado em 22/7/2007 12h59min, Brasília - Agência Brasil).

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Resenha: Microfísica do Poder

Michel Foucault nasceu em Poitiers, França em 15 de outubro de 1926, e faleceu em Paris em 26 de junho de 1984. Foi filósofo e professor da cátedra de História dos Sistemas de Pensamento no Collège de France desde 1970 a 1984. Seus primeiros trabalhos foram: História da Loucura, O Nascimento da Clínica, As Palavras e as Coisas, A Arqueologia do Saber, além dessas obras que seguia uma linha estruturalista, tiveram também Vigiar e Punir e História da Sexualidade que não o impediu de ser considerado pós-estruturalista.

O livro Microfísica do Poder de Michel Foucault organizado por Roberto Machado (Doutor em filosofia pela Université Catholique de Louvain, na Bélgica e estagiário do "Collège de France", sob a orientação de Michel Foucault, entre 1973 e 1980), contém transcrições dos cursos ministrados no Collège de France, artigos, debates e várias entrevistas que auxiliam na introdução ao pensamento de Foucault.
Esta obra explicita como os mecanismos de poder são exercidos fora, abaixo e ao lado do aparelho de Estado. Assim como, mostra-nos a relação de poder e saber nas sociedades modernas com objetivo de produzir “verdades” cujo interesse essencial é a dominação do homem através de praticas políticas e econômicas de uma sociedade capitalista.
No capítulo Verdade e Poder Foucault explica que a verdade é produto de várias coerções causadoras de efeitos regulamentados de poder. “Parece-me que o que deve se levar em consideração no intelectual não é, portanto, ‘o portador de valores universais’, ele é alguém que ocupa uma posição específica, mas cuja especificidade está ligada às funções gerais do dispositivo de verdades em nossa sociedade” (Foucault: 13). Ou seja, ele coloca a questão do papel do intelectual na sociedade como sendo uma espécie de produtor das “verdades”, dos discursos vindo de uma classe burguesa a serviço do capitalismo, que persuade uma sociedade alienada pelo domínio surgido de uma condição de vida estruturada a qual lhes davam total respaldo para o exercício de poder.
Como exemplo de instituições que a princípio foram construídas com o objetivo de excluir uma parte da sociedade no século XVII, Foucault utiliza o hospital, lugar que ao invés de ser aproveitado para a prática de cura das doenças, eram depositados os pobres doentes, prostitutas, os loucos e todos que representavam ameaça para a sociedade burguesa. Quem detinha o poder dessas instituições eram os religiosos e leigos em medicina que ficavam no hospital para fazer caridade e garantir a salvação eterna aos indivíduos lá depositados.
Até o século XVIII, as visitas médicas hospitalares eram feitas de forma irregular, pois, os religiosos concebiam o espaço para impor somente a ordem religiosa e não como um espaço para a cura das enfermidades, o médico nada podia fazer para ajudar essas pessoas, eles também estavam sob a dependência do pessoal religioso, e podiam ser despedidos caso descumprissem a ordem.
Nas análises sobre as questões relacionadas à psiquiatria Foucault relata como as instituições a princípio foram locais reservados para a diminuição do poder dos indivíduos capazes de enxergar o que acontecia com relação a dominação da prática da psiquiatria e de outras instituições e mecanismos do saber, onde pessoas eram praticamente abandonadas em um determinado local à arbitrariedade dos médicos e enfermeiros, os quais podiam fazer delas o que bem entendesse, sem que houvesse a possibilidade de apelo. Neste capítulo o leitor que teve o prazer de ler O Alienista de Machado de Assis, pode comparar as varias semelhanças de uma obra fictícia de uma obra com análises da realidade como Microfísica do Poder. Em O Alienista, Machado de Assis traz como tema a “loucura”, enfocada de uma forma que acaba por dissuadir todas as consciências consideradas normais e por questionar a própria condição humana. Machado procura apontar como as pessoas consideradas “anormais” por uma parte da sociedade, eram colocadas em um asilo para loucos onde os personagens se tornavam objetos de experiência científica.
“A característica dessas instituições é uma separação decidida entre aqueles que têm o poder e aqueles que não o têm” (Foucault: 124). A importância de uma transformação na reorganização arquitetônica dessas instituições hospitalares no século XVIII, de acordo com Foucault, só houve devido às questões políticas e econômicas que circundavam a sociedade francesa e européia. Essa reorganização se situou em torno das relações de poder, ou seja, os médicos passaram a exercer o poder dentro da instituição e fora dela. Como produtor da verdade, passavam a persuadir as pessoas no intuito de controlá-las e neutralizá-las para exercer poder sobre a sociedade.
Da mesma forma que as instituições hospitalares, a prisão deveria ser construída para servir de instrumento de transformação do indivíduo, mas não foi o que aconteceu. Foucault explica que a prisão passou ser um local de fabricação de mais criminosos, utilizada como estratégia também de domínio econômico. Para ele esse poder que era exercido nas instituições, era um feixe de relações mais ou menos organizadas, mais ou menos piramidalizadas, mais ou menos coordenadas. Que arriscavam dirigir a consciência e tentavam injetar na sociedade discursos persuasivos que indicavam quem exercia o poder e quem o acatava. Existia uma pirâmide do sistema que se fazia construir a possibilidade de manter esta relação de poder.
Além das instituições, existia um local todo gradeado e aberto aos olhos de somente um indivíduo, onde a sociedade era posta para exercer suas atividades como trabalhar, estudar e manter suas relações pessoais em grupo, sem que as instituições mantenedoras do poder não deixasse de saber o que estava acontecendo com cada indivíduo, tentando convencer a sociedade de que esta prisão era somente para resolver os problemas de vigilância e manter todos seguros.
Esta obra de Foucault possibilita que o leitor faça uma análise do que ocorreu e continua ocorrendo em nossa nação, cujo poder continua centralizado nas mãos de uma pequena parte da sociedade, que se utiliza de instituições e organismos para manipular, persuadir e neutralizar a grande massa para a manutenção de mecanismos que impossibilite a sua ascensão social. Para ficar mais clara a comparação sobre a sociedade que
Foucault expõe em Microfísica do Poder e a sociedade atual, basta o leitor ler o livro de Néstor García Canclini, Latino-americanos à procura de um lugar neste século, que fala sobre como os EUA através da globalização, vem exercendo um poder dominador, bloqueando o acesso ao desenvolvimento dos países latino-americanos, aumentando ainda mais as mazelas existentes no mundo de forma geral.
No decorrer de cada capítulo Foucault cita alguns pensadores como Freud, Nietzsche e Marx e algumas de suas obras como Vigiar e Punir, As Palavras e as Coisas, Arqueologia do Saber, A Vontade de Saber, que acaba estimulando o leitor a conhecer um pouco mais sobre o que está escrito em cada livro e sobre cada pensamento articulado que complementa a obra.
Em suma, é uma obra de absoluta importância para estudantes de qualquer graduação que busca um comprometimento com a profissão e com a sociedade. Pois, ajuda a melhorar e elucidar o conhecimento sobre as mazelas impregnadas no nosso país e no mundo.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Leo Kret e Carballal palestram na Faculdade 2 de Julho

Acontece amanhã, sexta-feira, 15/05, às 19h00, no Auditório Agenor Cefas Jatobá, a palestra “A Nova Cara da Câmara de Vereadores de Salvador em 2009”.

Leia...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Resenha: Latino-americanos à procura de um lugar neste século

Néstor García Canclini nasceu na Argentina em 1939, é professor da Universidad Autónoma Metropolitana e pesquisador emérito do Sistema Nacional de Pesquisadores do México. Recebeu o Book Studies Association pelo livro Culturas híbridas, considerado em 2002 o melhor livro sobre a América Latina. Nos últimos anos seus temas de estudo são os novos hábitos culturais e as relações entre estética e antropologia. Publicou pela Editora Iluminuras, os livros A Globalização imaginada (2003) e Leitores, espectadores e internautas (2008).

O livro Latino-americanos à procura de um lugar neste século de Néstor García Canclini traduzido por Sérgio Molina, procura expor como decisões econômicas, políticas e sociais entre os países influenciam uns aos outros sem que muitos percebam. Assim como mostra que as culturas dos países como Brasil, México e Argentina não estão sendo contidas unicamente nesses países por causa das imigrações e sim misturadas, mantendo relações cujo entendimento precisaria de uma observação empírica, ou seja, observar mudanças ocorridas nas culturas por causa de imigrantes que transitam de uma sociedade para outra, deixando um pouco de sua bagagem cultural por onde passa.


Essa transição cultural que continua assolar nos países, de acordo com Canclini, traz certo descontentamento da sociedade pelo seu “mundo”, mas abre várias oportunidades resultantes de fenômenos intrigantes da globalização, como também, faz sociedades sofrerem abalos em seus projetos e ficarem fragilizadas a ponto de dar mais espaço a países europeus e americanos de tornar-nos meros consumidores e devedores de sua cultura.


Esta obra reforça-nos como a globalização veio como forma de mercado e não como uma possibilidade de somente integrar os diversos países para uma ascensão social e apaziguadora, fazendo-nos refletir sobre os momentos históricos da nossa política- econômica social, e que tudo ocorrido durante esses anos, tem um significado e interesse cultural, como a possibilidade de imigração que promove um encolhimento mundial, através da globalização, aonde as migrações recheadas de ascensão social, vem de parceria com as novas formas de discriminação assolada nas comunidades históricas, fazendo elas se desraigar e desintegrar de suas identidades deixando-se pressionar por acordos que acabará nos próximos anos transbordando riscos que hoje e ontem expandiram.


O autor também, nos aviva a memória como a sociedade durante o século XIX e boa parte do XX, se dizia fazer parte de uma só nação, com orgulho de pertencer a uma única pátria. Tendo uma referência, e que a única coisa que tinham em comum com o outro mundo, era a influência religiosa da igreja católica que se alastrava e alastra pelo mundo até hoje. Nesta época, só alguns poucos cidadãos se aventuravam a fazer a experiência de conhecer e até morar em outro país.


Canclini com isso mostra-nos, que hoje a migração caiu um pouco no sentido de o cidadão se aventurar a uma ascensão social fora de seu mundo, mas que procuram sair dos seus países de origem, para olharem seu próprio país de outro modo, para terem uma visão crítica de tudo o que ocorre dentro dele com relação às questões políticos sociais. E que hoje, não só a influência da igreja católica nos unifica, como também, os meios de comunicação de massa e a força de mercado globalizada, cuja necessidade é unificar-nos através de discursos persuasivos nos tornando consumidores de empresas que fabricam bens, atitudes e estilos de vida que nos fazem viver em uma dramática e trágica desigualdade social, onde umas séries de governantes corruptos alienaram e alienam quase tudo.


No capítulo 3, o autor faz-nos refletir como as sociedades estabeleciam relações políticas culturais em busca de uma identidade idealizada pelo poder das relações. Identidades que separavam e anulavam culturas e criavam ou criam uma espécie de sociedade manipulada pelo capital, que o indivíduo só é considerado indivíduo se pertencer a grupos com características comuns. Tornando uma nação individualista cheia de interesse político-econômico em prol de um grupo específico, o elitista. Anulando toda uma cultura comunitária e de interesses recíprocos para a busca de uma identidade globalizada.


Só que Canclini observa que enquanto grupos procuram definir o latino-americano, outros lutam através de movimentos em defesa dos direitos humanos, e por países onde a democracia exerça sem discriminar um só povo. Mas com tantos impactos sobre a economia e a política, esses grupos que lutam em defesa da democracia, não dão conta de integrar a população em garantias sociais básicas, tornando a exclusão um dos componentes da globalização, que ao mesmo tempo em que procura demonstrar trazer benefícios a todos, desequilibra a estrutura de alguns países com o aumento de dívidas internas e externas que são feitas em prol de uma modernização a qual nunca é avançada nos países como o Brasil, Argentina, Bolívia, etc.. O autor procura mostrar que vários programas e tratados tentam harmonizar a situação desses países, mas os desrespeitos dos acordos despencam a possibilidade de ascensão. No que diz respeito à tecnologia e políticas socioculturais, os mecanismos que poderiam desenvolvê-los bloqueiam-nos beneficiando as estratégias latino-americanistas estadunidenses.


Canclini demonstra que a cultura, a economia, a política, os intelectuais e os meios de comunicação de massa dos países latino-americanos, estão sendo controlados com mais intensidade pelos EUA com a intenção de dominação de todos. Onde a maior dominação se dá através dos meios de comunicação de massa que produz mecanismos cujo interesse é entreter a sociedade para estagnar as políticas de estruturação social desses países escravizados.


Essa análise remete-nos a comparar ao que diz respeito aos mecanismos de dominação citado por Michel Foucault em Microfísica do Poder, onde o papel principal de algumas instituições era exercer o poder sobre uma parte da sociedade alienada por mecanismos gerados em prol da exclusão dos indivíduos considerados loucos e doentes sociais. Assim como, ao Livro Deus é inocente, a imprensa não, que fala sobre o domínio da imprensa sobre as informações e a sociedade.


Esta obra que nos faz refletir, observar e questionar todos os fatos que acorrem no nosso cotidiano é destinada a todos os cidadãos comprometidos com a luta por um mundo melhor, cujo interesse hoje de muitos países não é a democracia, e sim, exercer o poder de uns sobre os outros.

Rádio Educadora FM