sexta-feira, 15 de maio de 2009

Resenha: Microfísica do Poder

Michel Foucault nasceu em Poitiers, França em 15 de outubro de 1926, e faleceu em Paris em 26 de junho de 1984. Foi filósofo e professor da cátedra de História dos Sistemas de Pensamento no Collège de France desde 1970 a 1984. Seus primeiros trabalhos foram: História da Loucura, O Nascimento da Clínica, As Palavras e as Coisas, A Arqueologia do Saber, além dessas obras que seguia uma linha estruturalista, tiveram também Vigiar e Punir e História da Sexualidade que não o impediu de ser considerado pós-estruturalista.

O livro Microfísica do Poder de Michel Foucault organizado por Roberto Machado (Doutor em filosofia pela Université Catholique de Louvain, na Bélgica e estagiário do "Collège de France", sob a orientação de Michel Foucault, entre 1973 e 1980), contém transcrições dos cursos ministrados no Collège de France, artigos, debates e várias entrevistas que auxiliam na introdução ao pensamento de Foucault.
Esta obra explicita como os mecanismos de poder são exercidos fora, abaixo e ao lado do aparelho de Estado. Assim como, mostra-nos a relação de poder e saber nas sociedades modernas com objetivo de produzir “verdades” cujo interesse essencial é a dominação do homem através de praticas políticas e econômicas de uma sociedade capitalista.
No capítulo Verdade e Poder Foucault explica que a verdade é produto de várias coerções causadoras de efeitos regulamentados de poder. “Parece-me que o que deve se levar em consideração no intelectual não é, portanto, ‘o portador de valores universais’, ele é alguém que ocupa uma posição específica, mas cuja especificidade está ligada às funções gerais do dispositivo de verdades em nossa sociedade” (Foucault: 13). Ou seja, ele coloca a questão do papel do intelectual na sociedade como sendo uma espécie de produtor das “verdades”, dos discursos vindo de uma classe burguesa a serviço do capitalismo, que persuade uma sociedade alienada pelo domínio surgido de uma condição de vida estruturada a qual lhes davam total respaldo para o exercício de poder.
Como exemplo de instituições que a princípio foram construídas com o objetivo de excluir uma parte da sociedade no século XVII, Foucault utiliza o hospital, lugar que ao invés de ser aproveitado para a prática de cura das doenças, eram depositados os pobres doentes, prostitutas, os loucos e todos que representavam ameaça para a sociedade burguesa. Quem detinha o poder dessas instituições eram os religiosos e leigos em medicina que ficavam no hospital para fazer caridade e garantir a salvação eterna aos indivíduos lá depositados.
Até o século XVIII, as visitas médicas hospitalares eram feitas de forma irregular, pois, os religiosos concebiam o espaço para impor somente a ordem religiosa e não como um espaço para a cura das enfermidades, o médico nada podia fazer para ajudar essas pessoas, eles também estavam sob a dependência do pessoal religioso, e podiam ser despedidos caso descumprissem a ordem.
Nas análises sobre as questões relacionadas à psiquiatria Foucault relata como as instituições a princípio foram locais reservados para a diminuição do poder dos indivíduos capazes de enxergar o que acontecia com relação a dominação da prática da psiquiatria e de outras instituições e mecanismos do saber, onde pessoas eram praticamente abandonadas em um determinado local à arbitrariedade dos médicos e enfermeiros, os quais podiam fazer delas o que bem entendesse, sem que houvesse a possibilidade de apelo. Neste capítulo o leitor que teve o prazer de ler O Alienista de Machado de Assis, pode comparar as varias semelhanças de uma obra fictícia de uma obra com análises da realidade como Microfísica do Poder. Em O Alienista, Machado de Assis traz como tema a “loucura”, enfocada de uma forma que acaba por dissuadir todas as consciências consideradas normais e por questionar a própria condição humana. Machado procura apontar como as pessoas consideradas “anormais” por uma parte da sociedade, eram colocadas em um asilo para loucos onde os personagens se tornavam objetos de experiência científica.
“A característica dessas instituições é uma separação decidida entre aqueles que têm o poder e aqueles que não o têm” (Foucault: 124). A importância de uma transformação na reorganização arquitetônica dessas instituições hospitalares no século XVIII, de acordo com Foucault, só houve devido às questões políticas e econômicas que circundavam a sociedade francesa e européia. Essa reorganização se situou em torno das relações de poder, ou seja, os médicos passaram a exercer o poder dentro da instituição e fora dela. Como produtor da verdade, passavam a persuadir as pessoas no intuito de controlá-las e neutralizá-las para exercer poder sobre a sociedade.
Da mesma forma que as instituições hospitalares, a prisão deveria ser construída para servir de instrumento de transformação do indivíduo, mas não foi o que aconteceu. Foucault explica que a prisão passou ser um local de fabricação de mais criminosos, utilizada como estratégia também de domínio econômico. Para ele esse poder que era exercido nas instituições, era um feixe de relações mais ou menos organizadas, mais ou menos piramidalizadas, mais ou menos coordenadas. Que arriscavam dirigir a consciência e tentavam injetar na sociedade discursos persuasivos que indicavam quem exercia o poder e quem o acatava. Existia uma pirâmide do sistema que se fazia construir a possibilidade de manter esta relação de poder.
Além das instituições, existia um local todo gradeado e aberto aos olhos de somente um indivíduo, onde a sociedade era posta para exercer suas atividades como trabalhar, estudar e manter suas relações pessoais em grupo, sem que as instituições mantenedoras do poder não deixasse de saber o que estava acontecendo com cada indivíduo, tentando convencer a sociedade de que esta prisão era somente para resolver os problemas de vigilância e manter todos seguros.
Esta obra de Foucault possibilita que o leitor faça uma análise do que ocorreu e continua ocorrendo em nossa nação, cujo poder continua centralizado nas mãos de uma pequena parte da sociedade, que se utiliza de instituições e organismos para manipular, persuadir e neutralizar a grande massa para a manutenção de mecanismos que impossibilite a sua ascensão social. Para ficar mais clara a comparação sobre a sociedade que
Foucault expõe em Microfísica do Poder e a sociedade atual, basta o leitor ler o livro de Néstor García Canclini, Latino-americanos à procura de um lugar neste século, que fala sobre como os EUA através da globalização, vem exercendo um poder dominador, bloqueando o acesso ao desenvolvimento dos países latino-americanos, aumentando ainda mais as mazelas existentes no mundo de forma geral.
No decorrer de cada capítulo Foucault cita alguns pensadores como Freud, Nietzsche e Marx e algumas de suas obras como Vigiar e Punir, As Palavras e as Coisas, Arqueologia do Saber, A Vontade de Saber, que acaba estimulando o leitor a conhecer um pouco mais sobre o que está escrito em cada livro e sobre cada pensamento articulado que complementa a obra.
Em suma, é uma obra de absoluta importância para estudantes de qualquer graduação que busca um comprometimento com a profissão e com a sociedade. Pois, ajuda a melhorar e elucidar o conhecimento sobre as mazelas impregnadas no nosso país e no mundo.

27 comentários:

Anônimo disse...

esmiuçou com tanto detalhe as principais articulações de foucalt
espero que todos compreendam a relevancia de suas idéias que procura cada vez mais eliminar a individualização do sujeito individual no mundo e a prescrições de papéis em nosso sociedade contemporanea.

email :johnatan82@hotmail.com

jean disse...

Um livro pra lêr e re-lêr!
no comço é um pouco massante mas é excelente!

Su Mendonça disse...

Verdade Jean!

Anônimo disse...

Excelente resenhaa !
Mostrando os diversos modos que a burguesia usa para não permitir nossa ascenção . Grande Foucault

Anônimo disse...

Cuidado nas últimas linhas. Foucault não fala de imperialismo, nem dominação capitalista, dominação de uma classe perante a outra, etc. Ao contrário, fala que o poder se dá de maneira difusa, onde todos participam.

Su Mendonça disse...

Seja lá quem for, obrigada pela correção!

Abraços

Luã Lança disse...

Parabéns Su Mendonça pelo Blog, achei interessante o tema abordado em questão...
Parabéns...
Http://ociodeobservar.blogspot.com

claudia disse...

Parabéns! Sua resenha me ajudou muito!
Obrigada.
Bjs.
Claudia

Rodney Bezerra disse...

O resumo cumpriu mais do que sua função pois além de bom, instiga o leitor a ler a obra de Foucault.
Obrigado, Su.

JJr. disse...

Muito boa a resenha. Só tome mais cuidado com a escrita, a exemplo de "impedio", no início do texto, e de algumas concordâncias verbais.

Su Mendonça disse...

Obrigada JJr. pela correção, eu não tinha visto esse erro.

Abraços

Silvana disse...

Grata Su, me fez querer ler o livro.

Su Mendonça disse...

Ok, Silvana! Agradeço pelo acesso! Abraços

gutenberg disse...

Não sei quem pensa por Foucault. Ou o que ele pensa que ele mesmo seja. Pois, se ele, como indivíduo que é, e pessoa, pensa o que pensa, como pode negar a existênciaa do Sujeito?
Como pode diluir o sujeito numa estrutura indefinida?
Não é uma boa forma de se livrar das responsabilidades próprias'
Creio que Foucault fez mal a lição de casa, quando estudante de Filosofia, e não leu Sócrates.

Maria disse...

obrigada pela resenha, só uma dica, é muito desconfortável ler aqui devido às cores do fundo e letras, tamanho e tudo mais.

filosofiadaeducação disse...

gostei da resenha me parece uma filósofa... rsrsrsrsr

Anônimo disse...

Gutemberg,
Acredito que é você que precisa fazer leitura em filosofia. Sua ideia sobre Focault precisa ser revista.

Anônimo disse...

Gostaria de fazer uma correção, referente a seguinte afirmação citada na sua resenha, referente ao pensamento do autor sobre as instituições (escola, hospital..) “A característica dessas instituições é uma separação decidida entre aqueles que têm o poder e aqueles que não o têm” (Foucault: 124). De fato frase, a referência, se encontra no livro. No entanto esta afirmação não é de Foucault, e sim Basaglia, citado como um dos críticos que colaboraram com a anti-psiquiatria naquele período. É importante deixar isso claro, porque Foucault jamais poderia afirmar isto. Ele deixa bem evidente que o poder não é algo que se possui. Em suas palavras, "o poder não é algo que em que se possa dividir entre aqueles que possuem e o detêm exclusivamente e aqueles que não o possuem e lhe são submetidos... O poder funciona e se exerce em rede. Nas suas malhas os indivíduos não só circulam, mas estão sempre em posição de exercer este poder e sofrer sua ação; nunca são o alvo inerte e consentido do poder, são sempre centros de transmissão".
Portanto, valeu o esforço da resenha, mas é necessário um cuidado mais apurado para não gerar interpretações equivocadas.

Anônimo disse...

Você é uma boa escritora, mas acho que deves optar por fazer resenhas mais cientificas. Tendo cuidado com as citações e colocando devidamente as referências.

Ricardo Ol. Zanchetta disse...

Uma obra excelente e complementar ao trabalho de Foucault é o livro Sociedade Sem Escolas, de Ivan Illich, que da ênfase a instituição escolar e seus malefícios à sociedade.

Suane disse...

Obrigada pelos comentários! Abraços!!!

Gyl disse...

Gostei.....despertou minha curiosidade em ler o livro....obrigada

Anônimo disse...

uma resenha nao deve comparar ou sugerir textos de outros autores que nada tem a ver em alinhamento teórico e epistemológico com o assuno tratado. Por isso achei sua resenha de péssima qualidade pois vc tendencia o leitor a uma interpretação SUA, com tendências marxistas, e desconhece voce que Foucault foi um grande crítico de Marx. Ele defende a AUTONOMIA e não sugere, no caso do poder, que a sociedade burguesa... bla... bla... bla...

Willian Veron garcia disse...

Gostei da resenha, creio que seja fruto de um longo trabalho e empenho para desvendar Foucult e seu pensamento complexo , que em geral segue uma lógica diferente da qual estamos habituados.Por isso meus parabéns mesmo.
Só não achei interessante o fato de um indivíduo com um link anônimo ficar dando pitacos, fazendo críticas se achando o rei da cocada preta, o "Especialista" em Foulcolt, creio que quem manda melhor faz. Por isso peço a gentileza de que o Anônimo identifique-se e depois mostre seu trabalho sobre Foucult, suas dezenas de artigos e publicações.

Suane Mendonça disse...

Obrigada, Willian Veron Garcia!

Unknown disse...

mudem pra exatas

Patricia disse...

muito obrigada minha querida este material foi de grande ajuda!vc é top!

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